Loretta acordou sentindo-se mais leve do que nunca. Ela não se lembrava a ultima vez que tinha dormido tão bem. Sem pesadelos, sem acordar por qualquer barulho. Ela se sentia completamente descançada e revigorada.

Foi então que ela se lembrou dos acontecimentos da noite passada. Loretta tentou levantar com um tranco, mas as dores no seu corpo a impediram de ser rapida. ao inves disso, ela se levantou lentamente, se apoiando nos cotovelos.

A garota ruiva que ela se lembrava da noite anterior estava sentada em uma poltrona a alguns metros dela. Os cabelos dela não estavam mais presos em um rabo de cavalo, e sim soltos, caindo pelos ombros. Os olhos dela estavam fechados, e ela murmurrava alguma doce canção para a criança em seu colo, um menino de dois anos, adormecido.

Ele levantou o rosto e abriu os olhos, na noite anterior, ela não percebera como a garota era bonita, só agora, iluminada pela luz da manha, que ela conseguia ver. A menina sorriu para Loretta, como se se desculpasse, e saiu do quarto. Alguns instantes depois, ela voltou de braços vazios, e comprimentou Loretta.

- Desculpe-me. - ela disse - As vezes é dificil acalmar Otávio, e aqui era o comodo mais calmo que eu consegui encontrar. É claro, meu irmão consegue acalmar ele em quarquer lugar, mas eu não tenho os poderes do meu irmão então… ah, desculpe-me, estou falando demais. Você deve estar cheia de perguntas. Meu nome é Caroline.

- Eu sou Loretta - ela disse abanando a cabeça. Não sabia porque estava falando com aquela garota, mas algo nela lhe transmitia confiança.

- Você deve estar se perguntando porque te levamos daquela maneira ontem.

- É, realmente isso passou pela minha cabeça - Loretta respondeu, se sentando.

- Eu não queria fazer aquilo, mas se corresse em direção do acampamento, seria morta.

Algo em Loretta sabia que aquilo era verdade.

- Como você sabia tudo aquilo sobre Ester?

Caroline pareceu realmente envergonhada. Ela baixou a cabeça, corando. - Eu.. eu entrei na sua mente. Mas não costumo fazer isso sem permissão, a não ser em situações extremas. O problema, é que eu as vezes acabo vendo demais. Me desculpe, mais uma vez.

Loretta se sentiu invadida, mas ela reconhecia que Caroline se sentia mal por isso. E realmente fora necessario. Então ela assentiu para a garota, que voltou a sorrir.

- Ultima pergunta, onde nós estamos?

Caroline abriu um grande sorriro - Ah, finalmente a pergunta certa. Gostamos de chamar esse lugar de “ Toca da Serpente.”

- Um nome peculiar - disse Loretta. - Você não acha que Toca do Coelho soa mais agradável?  

- Tanto as serpentes quanto os coelhos tem que se esconder dos gaviões em algum lugar - ela disse. - A diferença entre eles é que a serpente tem presas, e uma hora, ela também ataca.




Por insistencia de Caroline, Loretta ficou no quarto até se recuperar. Ela levou o jantar para ela e aos poucos foi contando sobre o lugar. A Toca era um refugio de mutantes. A maioria deles, com historias trágicas, eles iam parar ali de todas as maneiras. Alguns ouviam falar do lugar, outros eram resgatados, e outros, como eu, encontrados ao mero acaso.

Na manha seguinte, a porta se abriu cedo. Caroline entrou trazendo minha mochila e minhas espadas.

- Eu peguei os seus pertences depois que apaguei você - ela disse - Aqui estão, juro que não mexi em nada.

Loretta colocou uma de suas amadas saias longas, uma verde e vermelha. ela colocou uma blusa branca regata, e um delicado casaco de lã vermelha por cima. O casaco que bába tinha feito pra ela tantos anos antes, agora lhe servia com perfeição. Ela geralmente não usava a peça, mas ela sentiu que precisava de um pouco de segurança.

Loretta respirou fundo e abriu a porta. Era finalmente a hora de conhecer a nova enrascada que ela tinha se enfiado.

O corredor da enfarmaria, foi o ultimo lugar silencioso que Loretta passou por. Agora ela entendia porque Caroline fora colocar Otávio para dormir na enfermaria. O resto da casa era um caos.

Na verdade, o lugar não lembrava uma casa. Não alguma que ela ja estivesse tido dentro. O primeiro corredor que ela virou era comprido e largo, cheio de portas para ambos os lados. Uma menininha que não parecia ter mais do que seis anos. Ela tinha uma longa calda branca, que fez angeline se lembrar de sua velha amiga do circo. Varias das portas estavam abertas, e se podia escutar o barulho de todo o lugar acordando. Uma menina de cabelos castanhos curtos e completamente bagunçados, que Loretta não fazia ideia de quem fosse, bateu na porta ao lado, falou alguma coisa e saiu com uma pasta de dente na mão.

Ela seguiu para longe do dormitorio. Teria muito tempo para conhecer todos quando eles não estivessem se arrumando para o dia.

O corredor que ela seguiu passou por uma grande cozinha, onde dois adolescentes trabalhavam.

- Eu amo almoço de boas vindas - disse a garota, ela estava com o rosto sujo de farinha. e seus cabelos loiros caiam em um coque mal feito.

- Eu também - respondeu o garoto que Loretta reconheceu ser Ben, o cara que a capturara.

Ela passou por outros comodos enquato andava. Uma sala cheia de poltronas de estampas desiguais e uma grande lareira no centro, que estava completamente vazia, dois banheiros, um feminino e um masculino, onde Loretta não entrou, mas ela podia ouvir o barulho de agua correndo, e por fim, saiu em uma porta de vidro, que dava para o jardim.

Agora loreta entendia porque chavamam o lugar de Toca da Cobra, e como um lugar grande como aquele poderia existir sem o conhecimento do governo.

Eles estavam cercados por um paredão de trinta metros de altura, de onde cresciam arvores de todos os tipos e tamanhos, a extenssão entre uma parede e outra era gigantesca, a casa não parecia tão grande se comparada com o terreno. O ceu só podia ser visto se você inclinasse a cabeça totalmente para o alto. Plantas e vinhedas escondidam uma entrada, que provavelmente estava muito melhor escondida se vista de fora.

Havia uma garota ali, e ela parecia manipular as plantas, escondendo a entrada o melhor possivel.

Sua atenção pela menina foi completamente dissipada quando um garoto entrou no campo de visão de Loretta. ele usava uma camiseta branca, e corria com o menino que ela vira no outro dia, Otávio. O meninino gargalhava, tentando alcançar o garoto que Loretta presumiu ter a idade aproximada da dela. 18 anos. O menininho soltou um gritinho e Loretta quase pulou de susto quando o menino pegou Otavio e o arremessou no ar. Logo em seguida, ela viu um par de assas negras surgirem de lugar nenhum, o adolescente levantou voo, e pegou o menininho de cabelos quase brancos no ar. Ele continuou com a brincadeira, de soltar e pegar o garoto, até ue um grito furioso veio pelo jardim. Uma garota de cabelos laranja apareceu, gritando furiosa com o menino-anjo.

- Enzo! - ela exclamou aos berros - Coloque meu irmão no chão. Agora!

Enzo lentamente desceu, segurando Otávio. A ruiva parecia furiosa.

- Eu ja disse Enzo, da proxima vez que eu pegar você voando com meu irmão, vou arrancar cada pena dessas suas asas.

- Mas Lily! - ele exclamou, sorrindo - Você sabe que Otávio gosta.

- Otávio tem três anos, eu não confio no julgamento dele. Muito menos no seu. E você sabe o que acontece depois que ele voa. Eu quase não consigo dormir a noite com os ambientes que ele cria.

- So porque você tem medo de altura - Enzo provocou.

Lily deu um murro no braço de Enzo e saiu andando, ele riu, mas sua risada se cortou ao meio quando viu Loretta parada a alguns metros.

Ele começou a caminhar em direção a ela, as asas aos poucos sumindo atrás dele. Quando ele chegou até ela, parecia um garoto comum, com dois furos nas costas da blusa.

- Você deve ser Loretta - ele disse, estendendo a mão para ela como um perfeito cavalheiro. - Eu sou Enzo.

- Muito prazer - Loretta disse, se recompondo a tempo de comprimentá-lo. A beleza do garoto  a estondeava. Ele tinha os cabelos negros, e olhos tão escuros como uma noite sem luar. O queixo quadrado e firme e o rosto coberto por uma rala barba por fazer.

- Você parecia um pouco assustada alguns momentos antes - ele disse.

- Eu so não estou acostumada a ver pessoas voando. Muito menos com garotinhos de três anos. - ela disse, e Enzo riu.

- Bom, você vai ter que se acostumar com tudo de anormal enquanto estiver aqui - ele disse. - Minha irmã ja lhe apresentou a casa?

Ele era então o irmão de Caroline. Ele reconhecera os olhos agora.

- Enzo! - chamou uma voz de dentro da casa. Era a mesma menina que Loretta vira de manha na cozinha, seus cabelos estavam soltos, mais ainda tinha uma mancha de farinha em sua bochecha. - Icarus e Madelaine  subiram no telhado de novo. Você precisa tirá-los de la.

- Me desculpe, tenho que ir - disse Enzo - Te vejo no jantar?

Loretta assentiu, e Enzo correu em direção a garota. Ele limpou a farinha do rosto dela e Loretta jurou que viu a garota corar um pouco.